1 dia no Mont-Saint-Michel, a ilha das marés, na França.

O Mont-Saint-Michel, a ilha das marés, é uma ilha rochosa com uma abadia do século XVI construída sobre ela. Está localizado na fronteira da Normandia e da Bretanha, no noroeste da França, pertinho do Canal da Mancha.

Sem dúvida é um dos destinos mais populares, segundo mais visitado da França após a Torre Eiffel, com cerca de 3 milhões de turistas por ano

Inicialmente o Mont Saint-Michel era chamado de Mont Tombe. Ele é cercado por vastos bancos de areia e é uma ilha apenas durante a maré alta, típica característica que levou fama a este lugar. Tem uma circunferência de 960 metros e seu ponto mais alto é de 92 metros acima do nível do mar.

O Mont-Saint-Michel ficou famoso por resistir aos ingleses durante a guerra dos cem anos. Após a Revolução Francesa, a abadia foi usada como prisão até 1863. Desde 1874, o Mont-Saint-Michel é um monumento nacional e inscrito na lista do Patrimônio Cultural Mundial da UNESCO em 1979. Sua população atual é de menos e 50 habitantes.

COMO CHEGAR

Não há trem direto de Paris para lá. O ideal é pegar trens para cidades de Caen ou Rennes e de lá pegar um ônibus para ilha.

Eu fui de carro da região do Vale do Loire para lá, a viagem demorou cerca de 3 horas e 40 minutos. Para entrar de carro no complexo tive que digitar um número, passado pelo hotel que me hospedei, para liberar a cancela. A taxa de estacionamento é de 12 euros por carro por dia.

MELHOR ÉPOCA PARA VISITAR

Antes de ir, li que a melhor época era de abril a outubro, porém o tempo é imprevisível na região da Normandia e Bretanha e realmente no dia peguei bastante chuva.

ONDE FICAR

Fiquei hospedada no Hotel Vert, nos arredores, a 2 km do Mont Saint-Michel. Ele oferece recepção 24 horas, Wi-Fi gratuito e estacionamento privativo. A única coisa que não gostei é que não tem elevador e subir com a minha mala para o 1º andar foi bem trabalhoso.

Eu só fui visitar o Mont-Saint-Michel no dia seguinte, mas quem fica hospedada fora é bom ficar atenta ao horário de voltar de lá, porque os ônibus que fazem o transporte para lá não funcionam durante a madrugada.

Em frente tem um restaurante (Restaurant Le Pré Salé), onde jantei na noite antes de visitar o Mont Saint-Michel. Recomendo para quem pernoita fora de lá, além de aconhegante, com comida gostosa, o atendimento foi excelente. Endereço: Route du Mont St Michel, 50170 Le Mont-Saint-Michel.

VISITA AO MONT SAINT MICHEL

Há um ônibus que passa na rua do hotel e leva até a beira do Monte.  O ônibus acomoda até 95 pessoas e são gratuitos. Eles funcionam sem parar das 07h30 à 1h da manhã. A viagem demora cerca de 5 minutos até lá.

Desde 2014 os visitantes chegam ao Monte através de uma ponte sobre palafitas que permite que a água passe por baixo.  Antes dessa construção era particularmente difícil chegar lá devido á areia movediça e as mares que subiam rapidamente.

Só é possível visitar o Mont Saint-Michel a pé devido as suas ruas medievais, passagens estreitas e escadas.

Olhando o monte de frente, o  posto de turismo fica à direita, antes do portão principal. Porém, eu iniciei o passeio pelo lado esquerdo, diferente de onde o pessoal geralmente inicia.

Iniciei a subida para o monte e logo a minha esquerda havia uma passagem que dava para ver o banco de areia que circunda o local.

Se eu continuasse caminhando por ai chegaria a mais linda joia escondida, que é a La Chapelle Saint-Aubert, uma capela de pedras com várias pinturas para desfrutar, dedicada a Saint-Pierre. Eu confesso que não fui, pois  fiquei com medo dos ventos fortes e da maré subir. Para quem tiver na região e for mais corajosa, vale a pena conhecer.



ABBEY (ABADIA DE SAINT MICHEL)
Se

A bilheteria fica em uma sala longa que foi construída em 1211 e é composta por 6 grandes colunas lisas.

A entrada é de 10 euros para adultos e gratuita para cidadãos da EU ou residentes permanentes da Franças até 25 anos. O horário de funcionamento é das 9h30 às 18h de setembro a abril e das 9h às 19h de maio a agosto. A visita pode ser guiada, bem como, só com áudio guia ou panfletos gratuitos em vários idiomas.

Iniciei a visita me dirigindo a uma escadaria (Le Grand Degré Intérieur) e após subir tudo, cheguei a um pequeno terraço (Terrasse de I’Ouest), com uma vista espetacular para a baía. Tenho certeza que se o tempo estivesse com sol, as fotos iriam ficar incríveis.

Bem em frente, está a entrada da Abadia (L’abbaye), com sua torre erguida em 1897. Sua enorme construção de três níveis em dois blocos foram feitos para ajudar a suportar o peso da igreja no topo da rocha.

Entrei na igreja e fui observando seus estilos arquitetônicos. Particularmente eu achei a nave e o coro da igreja bem simples, apesar de bem bonita e conservada.

Há uma enorme estátua do arcanjo Saint Michel de 32 m de altura da igreja pode ser vista de longe. A estátua data do final do século XIX.

A história conta que o Arcanjo Miguel visitou o bispo de Avranches e o instruiu a construir uma igreja na ilha. A partir de 966 DC a igreja então, foi transformada em uma abadia beneditina, evoluindo ao longo dos séculos, com vários edifícios adicionados ao complexo.   Desde então, a Abadia é considerada como um ponto de peregrinação cristã.

Logo em seguida me dirigi ao Claustro (Le Cloître), que está localizado na parte superior de um edifício chamado de “La Merveille” (a maravilha). Os claustros apresentam 220 graciosas colunas de granito em duplas filas alternadas.

De lá se tem acesso ao refeitório (Le Réfectoire), onde os monges comiam suas refeições.

Descendo uma escada, cheguei a sala dos hóspedes (Salle des Hotês) que está exatamente localizada sob o refeitório e que era destinada a recepção dos reis e nobres.

Continuei a visita pela Cripta dos Grandes Pilares  (Great Pillared Crypt) que foi erguida para sustentar o coro da igreja. Uma das duas colunas centrais são chamadas de palmeiras. E é nessa parte que encontrei a estátua da Virgem Negra.

Logo depois vem a Cripta de Saint-Martin (Saint Martin Crypt). Ela apresenta uma abóboda com uma dimensão de 9 metros.

De lá há uma passagem, à enorme roda que ocupa o antigo ossuário dos monges e que foi instalada por volta de 1820 para fazer subir os alimentos dos presos quando a abadia ainda era uma prisão. Ela é uma réplica das rodas utilizadas na idade média nos estaleiros de construção.

A capela Saint-Etienne encontra-se situada entre a enfermaria e o ossuário dos monges. Ela servia como uma capela mortuária.

Em seguida há a escadaria norte-sul que é um eixo de circulação que leva a uma sala comprida chamada de Le Promenoir des Moines.

Já no final encontra-se a sala dos cavaleiros  (La Salle des Chevaliers), que foi construída para suportar o claustro. Ela era a sala de estudo dos monges.

No final da visita, eu sai em uma lojinha que antigamente era a adega do local. Não comprei nada porque pensei em ver as várias lojinhas na cidade.

A VILA DE SAINT-MICHEL

Depois de seguir a rota de saída da Abadia fui andando pelas muralhas típicas da era medieval que protegiam contra as invasões.

Cheguei a Tour do Nord que é um ótimo lugar para tirar fotos. Dizem que lá é um ponto estratégico para ver o fenômeno das marés.

Fui descendo pela única rua da ilha, a Grand Rue que corre paralela às muralhas, esta rua de paralelepípedos é repleta de pequenas lojas de roupas e  souvenir, hotéis, pequenos cafés e creperias.

Passei pelo Museu de História (Musee Historique), na Les Remparts. O museu mostra várias coleções de armas antigas e instrumentos de tortura da idade média. Eu estava pertinho quando passou um monte soldados do exército francês que estava fazendo um treinamento lá. Mas, infelizmente não posso postar as fotos por solicitação deles.

Continuei descendo a Grand Rue até a Eglise Paroissiale Saint-Pierre, uma capela pequena e bem bonitinha. Dentro há uma estátua de prata de Saint Michel que certamente vale a visita. O balcão de orações foi feito pelos prisioneiros quando a abadia ainda era uma prisão.

Ao lado está a Logis Tiphaine, uma residência histórica, construída em 1365 pelo cavaleiro Bertrand du Guesclin para sua esposa Tiphaine. É um museu aberto ao publico que contem mobiliário da época, armadura do cavaleiro e outros artefatos medievais. Vale a pena visitar, ele é gratuito.

Entrei no Les Terrases Poulard, um restaurante bem pertinho da Eglise Paroissiale Saint-Pierre, somente para conhecer a parte externa, a muralha com vista para baía Saint Michel.

Continuei descendo a Grand Rue. A próxima parada foi pertinho do Archéoscope, uma animação de 10 minutos, que conta com efeitos especiais para contar a história do Mont Saint-Michel. A entrada lá é de 9 euros e eu não fui.

Continuei descendo com direito a paradas para visitar as diversas lojinhas de artesanato e souvenires.

Essa era uma das bonecas que eu queria trazer para casa. Linda, não?

Parei para comer um Croque Monsieur. Ele custou 5,5 euros, mas valeu a pena, pois estava simplesmente delicioso.

Logo abaixo visualizei  o  Museu Marítimo Ecológico (Musee Maritime) que explica sobre as marés, a história da ilha e seus arredores. Além disso, há uma coleção de 250 modelos antigos de barcos. A entrada na época custava 9 euros e eu não quis entrar.

Já quase no final da Grand Rue está o Lá Mère Poulard. Um albergue lendário, iniciado em 1888 por Annette e Victor Poulard. Annete era uma jovem de 20 anos, ótima cozinheira, conhecida como La Mère Poulard. A pousada recebia os peregrinos que vinham somente para provar a culinária de lá. Atualmente é considerado um hotel, um restaurante e um café casual.

Do lado está a boutique onde comprei algumas lembrancinhas para minha casa. Olha que linda aquela bolsa com um gatinho e esse quadro com a Torre Eiffel de Paris. Simplesmente adorei.

Eu trouxe um Saint Michel para mim, olha que linda perfeição.

A entrada da ilha é pela La Porte du Roy, que foi construído em 1435. Ele era defendido por uma ponte levadiça forrada com um fosso e reconstruída de forma idêntica em 1992. Atravessando ele já está a La Grand Rue. Eu acabei saindo por lá, pois entrei pelo outro lado.

Para quem entra por ai, vale a pena parar no Office de Tourisme Mont Saint-Michel, antes do portão, que oferece informações, bem como mapas em vários idiomas, incluindo em português.

Dicas:

Cuidado para não ficar presa na areia movediça, a costa é bem lamacenta ao redor do Mont Saint-Michel, mas parece estável. Muita gente tenta tirar ótimas fotos da ilha andando por lá, mas fiquei sabendo que não é raro as pessoas serem sugadas por buracos de areia movediça.

Caminhar por toda região, mesmo cheio de turistas, não é nem um pouco desanimador. Eu recomendo, pois com certeza absoluta, nenhuma viagem à Normandia estará completa sem a visita ao Mont Saint Michel. Se eu listasse um dos 10 lugares que mais amei estar, mesmo com chuva, certamente esse seria um. Ainda vou voltar lá, em um dia na maré alta para contar como foi. 🙂



Fonte:

https://en.wikipedia.org/wiki/Mont-Saint-Michel
https://www.bienvenueaumontsaintmichel.com/en/preparing-your-visit/prices
https://www.ot-montsaintmichel.com/

 

 

 

4 comentários sobre “1 dia no Mont-Saint-Michel, a ilha das marés, na França.

  1. Carina 16 16-03:00 fevereiro 16-03:00 2021 / 17:28

    Ô lugar lindo e inesquecível! Realmente uma visita imperdível. Adorei teu post, bem completo e as fotos estão lindas!

    • Vanessa Orfao 16 16-03:00 fevereiro 16-03:00 2021 / 19:56

      Eu adoraria um tempo bem azul para as fotos saírem mais lindas e fazer justiça à beleza do local.

  2. ANDRESSA 17 17-03:00 fevereiro 17-03:00 2021 / 14:36

    Passeio bem medieval! Deve ser uma experiência muito interessante! Apesar de adorar o sol, esse clima bucólico deu uma certa mágia no roteiro!

    • Vanessa Orfao 22 22-03:00 fevereiro 22-03:00 2021 / 21:25

      Eu confesso que eu também preferia um solzinho para deixar as fotos mais bonitas, mas sem dúvida, o clima não tirou a magia do passeio.

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