Museu Estatal Auschwitz Birkenau, em Oswiecim, na Polônia.

KL Auschwitz foi criado em abril de 1940 inicialmente para prisioneiros políticos polacos e no decorrer do tempo foi transformado em um campo de concentração. Para lá foram mandados pessoas de toda Europa, sobretudo os judeus, assim como prisioneiros de guerra soviéticos e os ciganos. Rudolf Höss foi o primeiro comandante de lá.

COMO CHEGAR

Localizados a mais ou menos 70 Km da cidade de Cracóvia a melhor forma de ir para lá é de trem ou ônibus. Os trens e ônibus partem da estação Kraców Glowny para estação Oswiecim e a viagem até lá demora em torno de 2 horas. Eu optei por ir de ônibus e voltar de trem, afinal Auschwitz está cerca de 2 Km da estação e o ônibus foi direto para lá.

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO E PREÇO

O museu fica aberto o ano todo, sete dias por semana, exceto no dia 1 de janeiro, 25 de dezembro e domingo de páscoa. Confira aqui os horários.

A entrada de Auschwitz é gratuita e quando opta-se por fazer a visita sozinha, a fila é infinitamente menor, ou quase nula, como eu encontrei.

A visita guiada é paga. Para saber mais, clique aqui. Eu não fiz e confesso que me arrependi. Tive a vantagem de ficar o quanto quisesse em vários lugares, mas fiquei super perdida em outros.

A VISITA

Os campos de Oswiecim (KL Auschwitz I) e Brzezinka (KL Auschwitz II – Bikernau) são atualmente preservados como museus abertos ao público.

Peguei um guia gratuito e fui me orientando pelo mapa para fazer a visita.

AUSCHWITZ I

Logo na entrada do campo de concentração de Auschwitz I entra-se por um portão com a frase “Arbeit Macht Frei” (o trabalho liberta), que era o lema da dos campos de concentração nazistas.

A Exposição Permanente, que foi aberta em 1955, continua sendo a parte principal da visita. Contém diversas fotografias, cópias de documentos, modelos e esculturas, roupas de prisioneiros e  itens apreendidos por deportados judeus. Essa exposição está divida pelos blocos 4, 5, 6, 7 e 11.

BLOCO 4 – EXTERMÍNIO

A primeira parte da minha visita foi ao bloco 4 que conta com 6 salas. Nelas pode-se ver um pouco  da história do maior campo de concentração nazista e o maior centro de extermínio de judeus europeus.

A maioria dos judeus, deportados para Auschwitz, morria imediatamente à chegada ao campo, nas câmaras de gás, sem sequer terem sidos registrados ou identificados com um número. Por isso, é muito difícil determinar o número exato de vítimas (estima-se em média 1,5 milhões). Há uma urna nesse bloco, que contém cinzas humanas recolhidas no terreno do campo em homenagem aos que lá morreram.

Lá também estiveram cidadãos de vários países, pessoas de várias convicções políticas e religiosas, população civil, membros da resistência e prisioneiros de guerra. Baseando-se nos números atribuídos aos detidos, é possível calcular, por exemplo, que cerca de 12.000 dos prisioneiros russos foram registrados no campo. Durante o período de 5 meses muitos morreram nas câmaras de gás, outra fuzilada e o restante por exaustão. Algumas páginas fotocopiadas deste registro encontram-se expostas na vitrine. Anotavam as causas e as horas dos falecimentos, em intervalos de 5 a 10 minutos.

KL Auschwitz foi também, o lugar de extermínio de muitos ciganos. Livros de registro, roubados e escondidos pelos prisioneiros, que contem cerca de 21.000 nomes de ciganos, são uma das provas desse crime. Algumas páginas deste livro estão expostas na vitrine.

A maioria dos judeus condenados a irem para Auschwitz viajavam em vagões selados, sem direito a qualquer alimentação por cerca de 7 a 10 dias. Portanto, ao abrir as portas dos vagões, muitos deles já se encontravam mortos. A exposição apresenta fotografias originais de um álbum com cerca de 200 fotografias, tiradas em Bikernau, em 1944, por um membro das SS durante operação de extermínio de judeus húngaros.

A seleção era feita logo que chegavam ao campo. Segundo a declaração de Rudolf Höss cerca de 70% a 75% dos deportados já iam diretamente para câmara de gás (crianças, mulheres com filhos pequenos, idosos, todas as pessoas que não eram “aptas” para o trabalho). Pessoas que não tinham condições de andar eram levados em caminhões, porém a maioria “marchavam” até a câmara de gás.

Há também nesse bloco, um pouco da história da câmara de gás e do crematório II. As várias pessoas que entravam para o vestiário iam tranquilas porque eram assegurados a eles de que iam tomar um banho. Pediam que se despissem, em seguida entrassem. Neste lugar de 210 metros quadrados de superfície, entravam de uma só vez, cerca de 2000 vítimas. Depois da porta fechada, as SS despejavam o gás Zyklon B através das aberturas situadas no teto. As pessoas morriam ali em 15 a 20 minutos. Dos cadáveres extraiam-se os dentes de ouro e depois eram transportados para os fornos crematórios, localizados no térreo e se não fossem suficientes para as piras de incineração.  Na parede desta sala, estão alocadas as 3 fotos tiradas clandestinamente por um dos prisioneiros, em 1944.

Zyklon B era produzido pela empresa “Degesch” que no período de 1941 a 1944 ganhou quase 300.000 marcos na sua venda.  Nos anos de 1942 e 1943 foram usados cerca de 20.000  kg deste gás. Segundo Höss, para matar cerca de 1500 pessoas eram necessários somente de 5 a 7 kg de gás. Depois da libertação do campo, nos armazéns, foram encontradas pilhas de latas vazias e outras ainda cheias de Zyklon B. Na vitrine, ao lado dos cristais de Zyklon B, estão expostos alguns documentos, as ordens de saída para os caminhões de Auschwitz e Dachau, onde Zyklon B era recebido.

No momento da libertação do campo, o exército vermelho encontrou nos armazéns cerca de 7.000 kg de cabelo conservados em sacos que após análises confirmaram ser cabelo humano, provavelmente feminino. As empresas alemãs utilizavam cabelo para produção de tecidos de crina. Há uma vitrine com esses cabelos encontrados.

BLOCO 5 – PROVAS DOS CRIMES

Nas salas do bloco 5 estão expostos objetos encontrados, depois da libertação do campo, pertencentes aos condenados à morte: sapatos, malas com nome e endereços de judeus deportados para o campo, óculos,  escovas, entre outros.

BLOCO 6 – A VIDA DO PRISONEIRO

Nesse bloco também há 6 salas que contam mais um pouco da história do campos e do sofrimento dos que lá passaram.  Aos prisioneiros recém-chegados eram confiscados as suas roupas e objetos pessoais, cortavam-lhes os cabelos e em seguida eram encaminhados para desinfecção e banho. As roupas que lhe davam não os protegiam do frio e os presos não tinham nenhuma possibilidade de lavá-las, o que causavam epidemias de muitas doenças como tifo e sarna.

No início cada prisioneiro era fotografado em 3 posições. Em 1943, foi introduzida a tatuagem com os números de registros de cada um. De acordo com a detenção, os prisioneiros eram marcados com triângulos de cores diferentes, junto com o número, nos uniformes do campo.

No início o campo tinha 20 edifícios (14 térreos e 6 de um andar). Nos anos de 1941 e 1942 o campo foi crescendo com recurso de mão de obra gratuita (dos próprios prisioneiros), transformando-se em uma autêntica fábrica de morte. Ao todo, o campo contou com 28 prédios de um andar (excluindo a cozinha e os barracões de armazenamento).

Durante todo o período de funcionamento do campo foram registrados cerca de 400.000 de prisioneiros homens, mulheres e adolescentes de várias nacionalidades.  Os presos que oscilavam de 13 a 16 mil em média eram alojados em blocos.

O valor energético da alimentação diária era de 1300 a 1700 calorias. Segundo relatos, o café da manhã era meio litro de café ou chá de ervas, o almoço constituído de sopa de legumes sem carne, preparada muitas vezes, com legumes podres e o jantar era de 300 gramas de pão mal cozido, duro como pedra.  O trabalho exaustivo e a fome causavam esgotamento físico e desnutrição, que terminava muitas vezes em morte. As fotografias, tiradas após a libertação, mostram prisioneiras que pesavam entre 23 e 35 kg.

Os ex-prisioneiros-artistas  tentaram recriar o ambiente “daqueles dias” que representa várias cenas da vida do campo. No museu, encontra-se uma grande coleção de obras com a mesma temática.

BLOCO 7 – CONDIÇÕES SANITÁRIAS E DE ALOJAMENTO

O bloco mostra as condições de alojamento, embora diferentes em várias épocas da existência do campo. Os primeiros prisioneiros dormiam no chão de cimento coberto com palha. Posteriormente foram introduzidas as camas treliches e em uma sala onde cabiam no máximo 50 pessoas dormiam cerca de 200 prisioneiros. No campo-base, os presos dormiam em blocos de tijolo de um andar, enquanto que em Birkenau, existiam os barracões sem alicerces, onde os prisioneiros dormiam em solo lodoso.

BLOCO 10

O Bloco 10 estava fechado para visitação, mas era onde o Dr. Joseph Mengele (anjo da morte), no âmbito de suas investigações, realizava seus experimentos em crianças gêmeas, deficientes, entre outros. Centenas de prisioneiros morreram durante esses experimentos, enquanto que alguns que sobreviveram ficaram com danos de saúde e mutilações permanentes.

BLOCO 11 – PAVILHÃO DA MORTE

No bloco 11 era onde se aplicava os mais variados castigos como a pena de açoite e a pena de poste (suspender o detido pelos braços torcidos para trás). O prisioneiro era punido por qualquer razão, por apanhar uma maçã, por fazer suas necessidades fisiológicas durante o trabalho ou até por trabalho lento. Nas celas localizadas no subterrâneo desse prédio foi usado, em setembro de 1941 a primeira prova da execução em massa, usando o gás Zyklon B. Morreram cerca de 600 prisioneiros de guerra soviéticos e 250 prisioneiros doentes do campo de concentração.

O pátio entre os blocos 10 e 11 é cercado de dois lados por um muro alto. Traves colocadas nas janelas impediam a observação das execuções. Em frente o “Paredão de Execuções” ou “Muro das Mortes”, muitos foram fuzilados pelas SS.

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EXPOSIÇÕES NACIONAIS

Além da exposição principal (permanente), há as exposições temporárias, conhecidas como exposições nacionais. Quando eu fui estavam localizadas nos barracões 13 (Extermínio dos ciganos europeus), 15 (Polônia), 16 (Tragédia dos judeus eslovacos, Prisioneiros da República Checa em KL Auschwitz), 17 (Jugoslávia, Áustria), 18 (Cidadão traído. Em memória das vítimas húngaras do Holcausto), 19 (Hospital para os prisioneiros), 20 (Deportados da França a KL Auschwitz. Bélgica 1940-44. Ocupação e deportações para KL Auschwitz), 21 (Perseguição e deportação dos judeus da Holanda, nos anos 1940-1945. Itália) e 27 (História do martírio dos judeus).

PRAÇA DO ENCONTRO

Durante as chamadas, as SS verificavam o número dos prisioneiros do campo. Este era o lugar das execuções publicas utilizando a forca móvel ou a forca coletiva, a reconstrução da última se encontra nessa praça. No dia 19 de julho de 1943, as SS enforcaram 12 prisioneiros polacos por manterem contatos com a população civil e ajudarem na fuga de 3 companheiros.

CREMATÓRIO E A CÂMARA DE GÁS

O crematório está situado fora da vedação do campo e dá para ver a chaminé do local.

A maior divisão do crematório era o necrotério convertido em câmara de gás provisória. Lá foram assassinados prisioneiros de guerra soviéticos e judeus no período de 1941 e 1942. Na outra parte, estão os 2 dos 3 fornos crematórios que tinham capacidade de cremar 350 corpos por 24 horas. Foram reconstruídos, utilizando elementos originalmente alemães. O crematório funcionou de 1940 a 1943.

Uma das partes, que me arrepiou bastante, foram às marcas de unhas nas paredes. Sem dúvida, os prisioneiros tentavam fugir de lá. Não consigo imaginar o desespero e a dor de cada um que morreu nesse lugar.

Andando pelo campo vi as torres de observação e arame farpado para todos os lados.

AUSCHWITZ II – BIRKENAU

A 3 Km do campo base de Auschwitz I, em Brzezinka, está o campo Auschwitz II – Birkenau. Há um ônibus do museu que sai de um campo de concentração para outro. Entre abril e outubro eles saem a cada 10 minutos e de novembro a março a cada 30 minutos. Não há tarifa.

Para visitar o campo é aconselhável iniciar a visita ouvindo a informação transmitida na torre do posto principal da guarda das SS, onde também é bem visível o panorama deste maior campo de concentração.

É possível ver a linha de trem e a réplica de um dos vagões dos trens que chegavam com os diversos presos.

Este campo era edificado com 300 barracões, dos quais hoje, estão intactos 45 de tijolos e 22 de madeiras. No lugar dos barracões destruídos ou queimados, podem-se ver as chaminés que restaram deles.  O número total de prisioneiros (mulheres e homens) alcançou em torno de 100 mil pessoas em agosto de 1944.

Pode-se se visitar os barracões conservados no estado original, onde os presos eram alojados. Na maioria dos barracões, ao invés de chão, havia terra batida, que se transformava num pântano.

No fim do cais da estação, estão as ruínas dos 2 crematórios e as câmaras de gás, que foram explodidas pelas SS em retirada. Nas ruínas, podem-se distinguir o vestiário subterrâneo, onde os condenados a morte se despiam e a câmara de gás.

Entre as ruínas dos crematórios II e III, encontra-se o monumento internacional em memória das vítimas de fascismo em Auschwitz, inaugurado em abril de 1967.

Eu me vi em muitos momentos chateada e totalmente arrasada, principalmente quando via alguém chorando ao meu lado (o lugar das crianças chocou muita gente e a mim não foi diferente).

Outra coisa curiosa foi que eu consegui visitar o campo praticamente inteiro, mas ao entrar no barracão que apresentava a exposição temporária do extermínio dos ciganos europeus eu não consegui fazer a visita. O lugar me arrepiou dos pés a cabeça, eu fiquei com um nó na garganta tão grande e lágrimas vieram no meu rosto. Sai de lá realmente esgotada física e emocionalmente (reparem no meu rosto, estava acabada).

Visitar os campos de concentração da Polônia realmente é uma coisa muito triste, eles tentam retratar, de várias formas, todo sofrimento que os prisioneiros passaram lá. Para mim, todos os filmes, livros e conhecimento histórico que temos da segunda guerra mundial não são suficientes para podermos ter uma dimensão do que se passou por lá.

Portanto, sem dúvida acho que todos deveriam visitar Auschwitz e Birkenau uma vez na vida para entender exatamente o quanto um homem pode ser cruel com outro homem e poder refletir sobre o sentimento de total inconformidade sobre o que foi o holocausto.

Fonte:
http://auschwitz.org/en/history/
https://en.wikipedia.org/wiki/Auschwitz_concentration_camp

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Um comentário sobre “Museu Estatal Auschwitz Birkenau, em Oswiecim, na Polônia.

  1. José 3 03-03:00 março 03-03:00 2020 / 21:45

    Muito triste esse lugar, parabéns você é uma pessoa fantástica.

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